Revisitar

REVISITAR é o novo projeto da União de Freguesias que tem como objetivo identificar, estudar, divulgar e valorizar o nosso Património e História Local. Pretendemos contar histórias sobre os edifícios, espaços arqueológicos e espaços naturais, mas também sobre as nossas associações, festas e tradições.

Começaremos por partilhar, neste espaço, imagens e histórias do nosso passado e do presente para reforçar a identidade local e preservar as nossas heranças culturais.

Venha connosco REVISITAR o Património e a História das nossas quatro freguesias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Memórias Paroquiais de 1758. Relatos de Bagunte, Santagões e Ferreiró

Assinala-se hoje, 9 de junho, o Dia Internacional dos Arquivos, instituído pela Assembleia Geral do ICA (International Council of Archives) em novembro de 2007.

Os arquivos, sobretudo os históricos, assumem um papel essencial na preservação de documentos centenários que chegam até aos nossos dias, garantindo a sua correta conservação, em condições especificas que o material e as condições de conservação dos mesmos exigem.

Memórias Paroquiais de 1758

Escolhemos, para assinalar esta data, um importante documento do século XVIII, as Memórias Paroquiais de 1758, um inquérito mandado realizar a todas as paróquias do país por Marquês de Pombal, a que hoje chamaríamos de censos, com questões acerca das características geográficas, sociais, económicas, religiosas e patrimoniais dos territórios que compreendiam cada paróquia, a ser preenchido pelos respetivos párocos.

Até aos nossos dias chegaram a quase totalidade dos inquéritos, conservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Infelizmente os inquéritos relativos a Outeiro Maior e Parada não se conservaram até aos nossos dias, pois integravam um lote de documentos que ardeu num incêndio. Até nós, e graças à existência de uma rede nacional de arquivos históricos, chegaram as Memórias Paroquiais relativas a Bagunte, a Ferreiró e à extinta paróquia de Santagões. Deixamos aqui alguns dos dados que esses documentos nos deixam, que prometemos desenvolver com mais pormenor no futuro.

Bagunte

O documento referente à Freguesia/Paróquia de Santa Maria de Bagunte data de 20 de maio de 1758, sendo abade Luiz Freire de Couto. O cuidado preenchimento do inquérito permite recolher variadas informações. Habitavam, à altura dos inquéritos, 412 pessoas em Bagunte. Como pontos mais altos são referidos o monte das Ladainhas “do qual se descobre o mar”, e o monte da Cividade, já com esta toponímia. Cultivava-se em maior quantidade centeio e milho, mas produzem-se outras culturas em menor escala. 

São assinaladas duas feiras realizadas em Bagunte, uma a 5 de março, que corresponderá talvez à Feira do Gado atual, e outra a 15 de agosto. 
Por esta altura existiam já cinco capelas em Bagunte, a de N. Sr.ª da Ajuda, já com festa a 8 de setembro, a de Santo António de Figueiró, a de São Vicente, a de N. Sr.ª das Neves, festejada a 5 de agosto e onde acorreriam romeiros em procissão de 20 freguesias vizinhas, e ainda a capela, que entretanto já não existe, de Santa Ana, no lugar com o mesmo nome, também com festa. 

Santagões

O documento referente à Freguesia/Paróquia de São Miguel de Santagões data de 8 de abril de 1758, sendo vigário José Luís. Habitavam, à altura dos inquéritos, 62 pessoas em Santagões, distribuídas por 15 habitações.
Na sua Igreja são referidos 3 altares, um dedicado a São Miguel, outro a N. Sr.ª do Rosário e um terceiro ao Deus Menino.
[Esta Freguesia/Paróquia foi extinta e anexada a Bagunte em 1899, com a morte do último pároco de Santagões, Pe. Joaquim Fernandes dos Santos.]

Ferreiró

O documento referente à Freguesia/Paróquia de Santa Marinha de Ferreiró data de 23 de abril de 1758, sendo abade José Francisco Pereira. Habitavam, à altura dos inquéritos, 130 pessoas em Ferreiró, distribuídas por 30 habitações.
Na sua Igreja destaca-se o altar principal com a imagem da padroeira e ainda Santo António e São Francisco Xavier. Nos altares laterais, a N. Sr.ª do Rosário e o São Sebastião.

É referida, ainda, uma capela na freguesia com as imagens da Santíssima Trindade, onde se celebra Missa cantada com sermão no seu dia, isto mais de 100 anos antes da construção da atual Igreja da Santíssima Trindade.
São identificados 3 montes, o de Santa Marinha, o da “Agoladas” e o de “Achoroza”, nomes que podemos reconhecer hoje com algumas diferenças. Quanto ao rio Ave são referidos vários moinhos de particulares, sendo um pertencente à paróquia.

Legenda das fotos:
-Igreja de São Miguel de Santagões, antiga Igreja Paroquial da Paróquia com o mesmo nome, 2017; 
-Capela de Nossa Senhora das Neves, Bagunte, 2017; 
-Igreja Matriz de Santa Marinha de Ferreiró, 2017.
-Última página do documento das Memórias Paroquiais referente a Bagunte. “Nada mais sei que possa referir sobre o que se me manda dizer desta freguesia de Santa Maria de Bagunte”, seguindo-se a data já referida e as assinaturas de 3 padres, o pároco de Bagunte, o de São Martinho do Outeiro e o de São Simão da Junqueira, conforme o inquérito o exigia (3 assinaturas, do pároco e ainda de 2 párocos vizinhos). Reprodução do documento original. Arquivo Nacional da Torre do Tombo: https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4239149; 
-Para consultar os documentos originais digitalizados:
https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4238720
-Para consultar os documentos transcritos:
Silva, Bernardino Areal da. Vila do Conde e as freguesias do seu concelho nas memórias paroquiais de 1758. Guidões: sn, 2008.

 

 

Festas da Santíssima Trindade, em Ferreiró 

Não fossem as condicionantes impostas pela pandemia que vivemos e, neste fim de semana, seria a vez de Ferreiró estar em Festa.
A Festa em Honra da Santíssima Trindade, em Ferreiró, realiza-se, a cada ano, no fim de semana em que a Igreja assinala a Solenidade da Santíssima Trindade. O ano anterior e este são exceção, esperando que no próximo ano se retome esta grande Festa, como manda a tradição e a devoção do povo de Ferreiró.

Longa tradição

A presença da devoção à Santíssima Trindade em Ferreiró vem já mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758, onde se refere a existência de uma capela com a imagem da Santíssima Trindade onde se realizaria Missa cantada e sermão no dia da sua Solenidade. Hoje são as principais festividades da Paróquia.

Uma igreja com mais de 150 anos

A atual Igreja da Santíssima Trindade data de 1866. A Igreja e a sua envolvente tiveram como principais impulsionadores Joaquim Fonseca da Cruz, Visconde de Santa Marinha, que doou muitos dos terrenos envolventes, e o de Ana da Costa Fernandes, uma das impulsionadoras da construção da Igreja e de muito do que encontramos no seu interior, juntamente com outros conterrâneos. Estes, como muitos outros, ilustram a forte e antiga devoção à Santíssima Trindade existente em Ferreiró. No interior da Igreja destaca-se a bonita imagem da Santíssima Trindade, que pelas suas caraterísticas será anterior à construção da atual Igreja (séc. XVIII?) e se enquadra na denominada representação iconográfica horizontal da Santíssima Trindade (“Trindade triândrica”, Trindade Pai/Filho/Pomba), representando as três figuras de forma independente, separadas.

A Festa tem, a cada ano, a Igreja, também denominada popularmente de Mosteiro, e todo o Largo da Santíssima Trindade como palco da Festa, organizada pela Confraria da Santíssima Trindade, com a colaboração de toda a população.

As iniciativas em 2021

Este ano, impedida que está a realização da Festa nos moldes habituais, a Confraria e a Paróquia de Ferreiró irão assinalar a Solenidade da Santíssima Trindade com Missa Solene no próximo domingo, dia 30 de maio, às 10:00h. A Celebração será campal e terá lugar no Largo da Santíssima Trindade, cumprindo todas as normas sanitárias.

Legendas fotos:
- Procissão da Festa da Santíssima Trindade, com a Confraria do Santíssimo Sacramento e o andor de Santa Luzia, ao fundo, 1967. Reprodução de fotografia. Arquivo Particular – Casa da Pereira, Ferreiró;
- Andor da Padroeira, Santa Marinha, na Procissão da Festa da Santíssima Trindade, 2019;
- Interior da Igreja, na Festa da Santíssima Trindade, 2019;
- Andor da Santíssima Trindade na Procissão da Festa da Santíssima Trindade, 2019.

 

 

Bagunte e Outeiro Maior na Rota Literária, Geografia Agustiniana

O Círculo Literário Agustina Bessa-Luís organizou um roteiro literário, disponibilizado on-line, onde são contemplados os locais que inspiraram algumas das obras da escritora Agustina Bessa-Luís. O roteiro contempla vários pontos do Porto, Douro e Minho e leva-nos a percorrer os lugares mais marcantes presentes em 19 das obras da escritora selecionadas para figurarem neste roteiro. Entre os locais mencionados está Bagunte e Outeiro Maior. Referimo-nos a locais como a Cividade de Bagunte, a Quinta de Cavaleiros, que foi propriedade da família de Agustina Bessa-Luís, a capela de Nossa Senhora das Neves ou o lugar de Corvos.

"(...) Imaginemos um passeio pelo mapa caminhando por aqui e ali, na companhia de uns e de outros, e nas suas falas; parando, para olhar uma rua, uma casa, um vale, uma ruína; ou para sentir um silêncio que nunca foi interrompido. É possível ainda localizar, lembrar, imaginar, e isso transporta-nos para dentro dos cenários, num convívio próximo e privilegiado. (...)", desafia-nos Mónica Baldaque, filha da escritora, na introdução deste roteiro.

Projeto Raízes

Recordamos que Mónica Baldaque foi uma das convidadas da iniciativa da União de Freguesias “Raízes: a Nossa Cividade Ontem e Hoje”, onde proferiu uma intervenção acerca da marca deixada pelas nossas terras, e nomeadamente pela Cividade e Quinta de Cavaleiros, na obra da sua mãe. À altura, a filha da escritora referiu ser transversal a toda a obra de Agustina influências da sua permanência neste local, nomeadamente nas suas férias de verão passadas na Quinta de Cavaleiros. “Eu vivi em muitos lugares, e de um deles tenho a ideia estranha de que lá vivi por necessidade da minha iniciação no fantástico. Era uma terra perdida, ao norte de Bagunte, nome já por si cancioneiro e razoável de eficácia romântica", escreveu Agustina em 1966.

 

 

Festa de Nossa Senhora de Fátima

Não fossem as condicionantes impostas pela pandemia que vivemos e, neste fim de semana, Bagunte estaria em festa.

A Festa em Honra a Nossa Senhora de Fátima, em Bagunte, realiza-se a cada ano no fim de semana seguinte ao dia 13 de maio. O ano anterior e este são exceção, esperando que no próximo ano se retome esta grande Festa, como manda a tradição e a devoção do povo de Bagunte.

88 anos de história

A Festa dedicada a Nossa Senhora de Fátima começou a realizar-se no ano de 1933, apenas 16 anos após as aparições de Nossa Senhora, em Fátima, no ano de 1917. Desde então, e a cada ano, a Festa realiza-se na Igreja Paroquial de Santa Maria de Bagunte e em todo o Largo de Santana, organizada pela Comissão de Festas e Confraria de Nossa Senhora de Fátima, com a colaboração de toda a população.

A Paróquia de Santa Maria de Bagunte é marcada por uma forte devoção mariana que se evidencia não só por ter Nossa Senhora do Ó, ou da Expectação, como Padroeira, mas também pelas várias capelas e altares dedicados a Maria, como é o caso das capelas de Nossa Senhora das Neves, onde se realiza uma peregrinação anual, e Nossa Senhora da Ajuda, onde se realiza também uma grande Festa anual. Na Igreja Paroquial merecem destaque as pinturas do teto, com quadros marianos e, ainda, uma imagem da dormição da Virgem, ou Senhora da Boa Morte, entre outras significativas representações de Maria.

As iniciativas em 2021

Este ano, impedida que está a realização da Festa nos moldes habituais, a Comissão de Festas, a Confraria de Nossa Senhora de Fátima e a Paróquia de Bagunte, estão a assinalar estes dias de Festa, tendo começado no dia 12 de maio, com um "Momento Mariano" abrilhantado pelos 3 grupos corais (crianças, jovens e adultos), onde toda a comunidade foi convidada a oferecer uma flor a Nossa Senhora. Já hoje, dia 13 de maio, irá ser celebrada Eucaristia Solene, às 19:30h, seguida da recitação do Rosário, na Igreja Paroquial de Bagunte, festivamente adornada. Antes da Eucaristia a Comissão de Festas irá depositar no Cemitério uma coroa de flores, homenageando aqueles que desde há várias décadas foram os impulsionadores destas grandes festividades.

Legendas fotos:  
▫️Exterior da Igreja Paroquial de Santa Maria de Bagunte na Festa de Nossa Senhora de Fátima, 1952. Reprodução de fotografia. Arquivo Particular - Família Costa e Silva;  
▫️Andor de Nossa Senhora de Fátima na Procissão da Festa de Nossa Senhora de Fátima, 1952. Reprodução de fotografia. Arquivo Particular - Família Costa e Silva; 
▫️Interior da Igreja Paroquial de Santa Maria de Bagunte na Festa de Nossa Senhora de Fátima, 2019;  
▫️Andor de Nossa Senhora de Fátima na Procissão da Festa de Nossa Senhora de Fátima, 2019. 

 

 

Há quanto tempo não visita a Cividade de Bagunte?

Se for lá agora, vai surpreender-se! São vários os trabalhos de valorização de toda a área e respetiva envolvência, procedendo-se a ações de preservação das estruturas classificadas, à reflorestação da envolvente do castro, à melhoria dos acessos, à requalificação de vedações e de placards informativos, sendo o de maior vulto a construção do Centro de Receção da Cividade de Bagunte, apresentado em primeira mão na iniciativa da União de Freguesias “Raízes: a Nossa Cividade Ontem e Hoje”.

 

Uma história com mais de 3000 anos

Para melhor compreendermos o que este Monumento significa e a sua importância temos de recuar às origens do povoamento neste território, sendo a Cividade de Bagunte o vestígio mais antigo de um povoamento organizado nesta região. Quando falamos da Cividade de Bagunte, falamos em, pelo menos, 3000 anos de História. Este terá sido um núcleo central em termos de organização territorial e é considerado o maior castro da Idade do Ferro do concelho de Vila do Conde, sendo que a sua ocupação se verifica até ao século II d. C., já em período de ocupação romana, o que explica o facto de ser considerado um castro romanizado.

Classificado desde 1910 como Monumento Nacional, as escavações arqueológicas neste local remontam a 1883 e prolongam-se até aos nossos dias.

 

Ações de divulgação

Atualmente, e de forma a aumentar a visibilidade da Cividade de Bagunte junto das nossas comunidades, o Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Vila do Conde, com o apoio da nossa União de Freguesias, iniciou a mostra de peças arqueológicas no edifício da Junta, em Bagunte, que pode ser visitado por todos.

Já no passado mês de abril deste ano, a Cividade de Bagunte foi o tema principal de um simpósio, denominado The Iron Age of Northwest Portugal: Leftovers of Behavior (A Idade do Ferro no Noroeste Peninsular: o que sobra do comportamento humano), incluído no programa do 86º Encontro Anual da Society for American Archaeology, a maior organização de arqueólogos norte-americana, sendo este o principal congresso da especialidade naquele país.

Só bons motivos, para REVISITAR este local!

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