Igreja de Santa Marinha

A Igreja de Santa Marinha de Ferreiró, ou Igreja Matriz de Ferreiró como também é conhecida, é um pequeno templo com características que nos remetem para o século XVII embora seja, certamente, anterior a existência de um templo naquele local, que terá sofrido as naturais modificações ao longo dos séculos.

Nas Memórias Paroquiais de 1758 a referência a esta Igreja reduz-se à enumeração das imagens presentes no interior do templo, bem como a sua distribuição pelos diferentes altares. Referiu, à época, o abade desta paróquia que a Igreja tinha um “Altar maior com a Imagem da Padroeira, e da parte direita a do milagroso Santo António, e da esquerda a do milagroso São Francisco Xavier”, e ainda mais dois altares laterais com as imagens da “Senhora do Rosário” e do “Mártir São Sebastião”*. A descrição, pouco pormenorizada, pode justificar a ausência de referência ao único altar que resta desta igreja, e que se encontra no presbitério da mesma, o altar das Almas, que pelas suas caraterísticas será anterior a este documento (cf. foto do presbitério). Aqui o abade terá optado apenas pela enumeração das imagens, não mencionando nenhum pormenor dos altares.

O altar das Almas, único desta Igreja a chegar até nós, conservou-se por ter sido transferido da Igreja de Santa Marinha, na segunda metade do século XIX, para a Igreja da Santíssima Trindade que, depois de concluída e por ter melhores condições que a até então Igreja Paroquial, passou a funcionar como sede de paróquia. Por esta altura o altar das Almas é transferido para a Igreja da Santíssima Trindade, sendo colocado no presbitério, do lado onde se encontra hoje a imagem de São João Batista. Atualmente, e fruto dos melhoramentos que foram realizados na Igreja de Santa Marinha, o altar regressou à sua igreja de origem, ocupando agora o lugar central do templo.

Da antiga igreja, além do referido, preserva-se, ainda, a imagem barroca da Padroeira, de significativa qualidade e beleza, em madeira policromada, que se venera atualmente nesta mesma igreja. Entre outras imagens que se conservam destaca-se, igualmente, a imagem do Cristo Crucificado, que se encontra atualmente na Igreja da Santíssima Trindade, junto ao ambão.

 Após a mudança da sede de paróquia para a então nova Igreja da Santíssima Trindade, a Igreja de Santa Marinha entra em processo de degradação, sendo tomada pela vegetação e chegando mesmo à ruína.

No ano de 1900, Ricardo Severo e Fonseca Cardoso, que também realizaram estudos acerca da Cividade, publicaram um estudo antropológico acerca de Ferreiró, intitulado “O Ossuário da Freguesia de Ferreiró”. Neste estudo realizado nos últimos anos do século XIX, que tratou as ossadas que compunham o ossuário da freguesia com vista à publicação do referido artigo, a Igreja de Santa Marinha estava já fechada ao culto, há vários anos segundo referem, e em iniciado processo de abandono, escolhendo os autores a sacristia desta mesma igreja para montarem o seu laboratório improvisado onde estudaram as ossadas locais. Por esta altura realizava-se a transladação das ossadas para o novo cemitério, o atual cemitério, aproveitando os autores esta ocasião para o seu estudo. Neste artigo, os autores fizeram uma descrição da freguesia e da Igreja de Santa Marinha. Descreviam-na como uma “capela solarenga, colocada no centro de um pequeno vale, que constituía o passal”, considerando-a “primitiva e singela”**, sem elementos a realçar.

O estado de ruína da Igreja de Santa Marinha manteve-se até aos anos 60 do século XX, quando o então pároco de Ferreiró, Pe. Alceu Carlos da Silva, incentivou a limpeza da vegetação que cobria o edifício e levou a cabo os primeiros melhoramentos no templo. Outros melhoramentos se seguiram nas décadas seguintes, quer no edifício, quer no adro da Igreja, hoje com nova entrada e ampliado.

Atualmente os principais atos de culto ali realizados são a Eucaristia campal no dia de Santa Marinha, que se assinala a 18 de julho e, ainda, a Eucaristia seguida de Procissão de Velas, realizada sempre na sexta-feira anterior ao domingo em que a Igreja celebra a Santíssima Trindade. Neste dia a imagem de Santa Marinha integra também a Procissão de Velas em direção à atual Igreja Paroquial, com vista a integrar depois a Procissão principal das festividades da Paróquia, em honra da Santíssima Trindade. A Igreja de Santa Marinha encontra-se aberta todos os domingos.

Um local que merece ser visitado ou revisitado por si!   
 

* Vila do Conde e as freguesias do seu concelho nas memórias paroquiais de 1758, p. 69.
** O ossuário da freguezia de Ferreiró, p. 7.

 

    

Hino de Santa Marinha

                 Dos altos céus – ó feliz morada! –
                 Escuta os cantos da nossa gente.
                 É gente humilde, mas boa e crente,
                 Que Te deseja ver celebrada.


                  Nunca nos faltes com o teu carinho
                  Sobre o negrume do nosso tédio,
                  Aos nossos males dá-lhes remédio,
                  Mostranos sempre o recto caminho.

                 
                   Nas nossas searas, nos nossos lares
                   Onde vicejam nossos suores
                   Cresçam, formosos, frutos maiores
                   Que diliciem os teus olhares.


                   CORO
                   Livra dos males que metem dó
                   Quem Te escolhera para Madrinha,
                   Nunca nos deixes, Santa Marinha,
                   Protege o Povo de Ferreiró.


Braga, 08/03/1962
P. D. da Silva Araújo

 

Legendas fotos:
-Exterior da Igreja de Santa Marinha, 2021
-Presbitério da igreja, 2021
-Interior da igreja, 2021
-Imagem de Santa Marinha, 2021
 

Bibliografia:

- SILVA, Bernardino Areal da - Vila do Conde e as freguesias do seu concelho nas memórias paroquiais de 1758. Edição própria. Guidões: sn, 2008.

- SEVERO, Ricardo; CARDOSO, Fonseca – O ossuário da freguezia de Ferreiró. Portvgalia. Porto. Extrato do Tomo I, fascículo 2 (1900).
 

Texto: José Furtado
Fotos: Diana Araújo

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