Recordar Agustina Bessa-Luís

Os 100 anos da escritora.

👉Hoje, dia 15 de outubro, completam-se 100 anos do nascimento de Agustina Bessa-Luís (15 de outubro de 1922 — 3 de junho de 2019). É, por isso, uma oportuna ocasião para recordar a escritora, a sua vida e obra.

Para nós, recordar Agustina é também recordar a sua ligação às nossas terras, em especial a Bagunte e a Outeiro, locais que fizeram parte da sua vida, sobretudo na fase da adolescência, e que se eternizam agora na sua obra. Entre os locais mencionados estão a Cividade de Bagunte, a Quinta de Cavaleiros, que foi propriedade da família de Agustina Bessa-Luís, a capela de Nossa Senhora das Neves ou o lugar de Corvos. São pelo menos 7 as suas obras com referências diretas aos tempos passados em Outeiro e Bagunte, - Colar de Flores Bravias, Dentes de Rato, Vento, Areia e Amoras Bravas, O Soldado Romano, Homens e Mulheres, Antes do Degelo e Cividade  - embora seja transversal a toda a sua obra as influências que os seus tempos passados por estas terras significaram na sua criação literária.

“Eu vivi em muitos lugares, e de um deles tenho a ideia estranha de que lá vivi por necessidade da minha iniciação no fantástico. Era uma terra perdida, ao norte de Bagunte, nome já por si cancioneiro e razoável de eficácia romântica", escreveu Agustina em 1966, referindo-se às férias passadas na quinta de família, a Quinta de Cavaleiros.

 

Vida e obra

👉 Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila-Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922.

O pai, proveniente de uma família de lavradores de Vila-Meã, aos 12 anos de idade partiu para o Brasil onde fez fortuna. Anos mais tarde ao voltar para Portugal dedicou-se à gestão de empresas de espetáculo e jogo no Porto e na Póvoa de Varzim, nomeadamente o Casino da Póvoa.

A mãe era filha de uma senhora espanhola de Zamora e de um português, engenheiro dos Caminhos de Ferro, nascido em Loureiro, Peso da Régua.

As contingências da vida do pai de Agustina levaram a família a mudar por diversas vezes de terra. Viveram em Gaia, no Porto, na Póvoa de Varzim, em Águas Santas, em Godim, no Douro, e, claro, em Outeiro Maior, Vila do Conde, onde passou, sobretudo, períodos de férias escolares, em setembro, na Quinta de Cavaleiros.

Desde criança que se manifestou o seu gosto por escrever histórias e pela leitura começando pelos livros da biblioteca do avô materno, Lourenço Guedes Ferreira. Foi através destes que tomou contacto com alguns dos melhores escritores franceses e ingleses que lhe despertaram a arte narrativa. Na juventude chega a escrever dois romances com o pseudónimo de Maria Ordoñes: o primeiro Ídolo de Barro, que não publica, e o segundo Deuses de Barro, publicado em 2017.

A 25 de Julho de 1945 casou com Alberto Luís, no Porto, que conhecera através de um anúncio de jornal posto pela escritora procurando pessoa culta com quem se corresponder. Alberto Luís era estudante de Direito em Coimbra onde residiram enquanto o marido acaba o curso, mudando-se depois para o Porto onde fixaram residência a partir de 1950, com um intervalo de três anos em que residiram em Esposende.

Estreou-se como romancista em 1948 com a novela Mundo Fechado, que já foi notada por Aquilino Ribeiro e pelo poeta Teixeira de Pascoaes numa carta que lhe escreveu pouco antes de morrer que só chegou ao conhecimento de Agustina dois anos depois da morte de Pascoaes. Seguiu-se a obra Contos Impopulares escritos entre 1951-1953.

Foi em 1953, com o romance A Sibila, ao qual foi atribuído o prémio Delfim Guimarães e Prémio Eça de Queiroz, no ano seguinte, que Agustina Bessa-Luís foi reconhecida como uma das vozes mais importantes na ficção portuguesa contemporânea. Desde então manteve um ritmo de publicação de uma obra por ano, pouco comum nas letras portuguesas.

Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema nomeadamente por Manoel de Oliveira com quem colaborou com assiduidade escrevendo os diálogos de guiões, ou acompanhando a adaptação de romances seus ao cinema, como Vale Abraão (1991/1992) ou O Princípio da Incerteza (2001), entre muitos outros.

Em 2009 o cineasta João Botelho adapta a obra A Corte do Norte e Rita Azevedo Gomes adaptou em 2018 o texto A Portuguesa, de Agustina a partir de um texto de Robert Musil.

Escreveu textos para teatro na televisão e outros adaptados ao teatro. Na televisão colaborou no programa Ela por Ela (2006) em parceria com Maria João Seixas e realização de Fernando Lopes.

Agustina tornou-se conhecida não só como romancista, mas também como autora de peças de teatro, guiões para cinema, biografias, ensaios e livros infantis, e é, sobretudo, nestes livros infantis que as influências dos tempos passados em Outeiro e Bagunte mais se fazem notar.

Participou em numerosos colóquios e encontros internacionais, e realizou conferências em Universidades um pouco por todo o mundo. Foi ainda membro do Conselho Diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma) (1961-1962) e colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido entre 1986 e 1987 directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto).

Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris) e da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras).

Recebeu diversos prémios, distinções e Doutoramentos Honoris Causa.
Faleceu na sua casa no Porto a 3 de junho de 2019.

 

Iniciativas programadas

No dia 15 de outubro de 2021, há um ano, iniciamos uma viagem que nos levou pela sua obra diretamente marcada por estes locais e outros aspetos da sua vida e obra que nos conduziram a este dia, ao centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís.

Durante os próximos meses, a cada dia 15, continuaremos a partilhar consigo a vida e obra da escritora, e sobretudo a que passou por estes locais, conduzindo-nos, agora, às comemorações do seu centenário.

Fique atento!

 

Para conhecer a viagem pela sua vida e obra feita até aqui:

www.lkme.pt/JGLwD

Para saber mais sobre a escritora:

https://www.clabl.pt/pt/

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