Recordar Agustina Bessa-Luís

DENTES DE RATO.

A primeira obra de que vos vamos falar é Dentes de Rato, um conto infantil publicado em 1987, pela Guimarães Editores, com ilustrações de Martim Lapa.

Este livro trata-se de uma nota autobiográfica ficcional, centrada na história de Lourença, reunindo pessoas, lugares e acontecimentos que marcam a vida desta personagem. Ora, aqui como noutras obras da autora, estão presentes variados aspetos que marcaram a infância da escritora e o seu imaginário na hora da escrita.

Dentes de Rato é, precisamente, o nome dado a Lourença, figura central deste conto, porque “os dentes dela eram pequenos e finos” e porque tinha a “mania” de “morder a fruta que estava na fruteira e deixar lá os dentes marcados”. Pouco próxima da família, quer dos pais, quer dos irmãos, Lourença caraterizava-se por um comportamento diferente, que levava a que não fosse, por exemplo, compreendida pela mãe. Já do pai era também pouco próxima, os negócios faziam com que fosse menos presente.

Desde cedo Lourença foi alimentando o seu imaginário, os seus muitos sonhos, a sua maneira de ver as coisas. Por isso “não gostava de ninguém que se pusesse entre ela e a imaginação, como um muro, e a não deixasse ver as coisas de maneira diferente”.

A Quinta de Cavaleiros é um dos locais referidos na obra. Quando se passava o “portão da quinta esquecia-se tudo”, referindo objetivamente o nome da mesma, “casa de Cavaleiros, que era o nome da quinta”. Um dos capítulos do livro recebe mesmo o nome de “Os Condes de Cavaleiros”.

São várias as descrições da quinta, desde a “grande ramada que deitava uma sombra quente” à “casa, como uma igreja em ruínas”. Não faltando as salas que “podiam guardar uma carruagem com cavalos e tudo” e os “alçapões” de onde se podiam ver as “cabeças das vacas”. Nesta casa Lourença passa as férias de setembro.

Também a Cividade de Bagunte, este “lugar muito antigo”, consta nesta obra, sendo o título do último capítulo do livro. Refere que os “romanos tinham lá um quartel”, do qual ainda se “podiam ver os restos”. Neste local apareciam ainda “púcaros de barro quebrados e até pulseiras de ouro”. A completar este conjunto de lugares está a aldeia de Corvos, em Bagunte, que “ficava em frente da casa de Cavaleiros”, sendo preciso “atravessar um campo muito maior do que um estádio de futebol para lá chegar”.

“O monte [da Cividade] estava ao lado da quinta de Cavaleiros e era como uma cabeça que saía da terra, com os olhos fechados. Da aldeia de Corvos ele só parecia um monte qualquer, e mais nada”.

A história desta personagem, Lourença, continua na obra “Vento, Areia e Amoras Bravas”, que apresentaremos na próxima publicação.

Ficou curioso?

 

Bibliografia

BESSA-LUÍS, Agustina – Dentes de Rato. Lisboa: Guimarães Editores, 2007, 17ª ed.

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